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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Concreção

A palavra persegue o poeta até que ele a sinta e a concretize.

23-25/02/2013
01/03/2012
Itaipuaçu

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Compasso

Gosto da vida
Como gosto da música

Com rítmo e harmonia
Mas principalmente com pausas

Anonio C B Campos
Itaipuaçu 22/02/2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Bambu

Um dia me falaram da dignidade do bambu
Que se curva durante a tempestade
Mas não quebra

Pergunto:

Que dignidade há em se curvar?

Itaipuaçu
25/02/2013




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O desejo dos Alfonsins

                                             Para um amigo que aprendeu a voar.

Houve um tempo de Alfonso e Alfonsin
De Venina e Veridiana
De Jayme e Penha
De Antonio e Marco Antonio
Hoje é o tempo de Arthur e Yasmim

Nas vozes de Arthur e de Yasmim
Ecoam os versos dos Alfonsos, das Veninas e das Penhas
Velhos desejos vestidos de desejo novo
Fragmentos dos sentidos dos avós, das bisavós
Restos de desejo desejado
Heranças

Quando os ouço, dizem-me:
Estudar, trabalhar, casar, ter filhos
Falar bem o Português
E também falar Inglês e Mandarim
Ler os clássicos, os filósofos,
Não ter preconceitos: ler também a Veja, a Piauí, a Folha de São
Paulo...

A Caras, não fica bem!

Não poluir e não fumar
Malhar, correr e saber fazer Yoga
Lavar as mãos antes e escovar os dentes após comer
Não xingar nos jogos de futebol

Rir baixo para que o visinho não perceba que é infeliz

[E só escrever vizinho com "s" se a poesia der a licença.
Me disse o professor do conto do papagaio
que mesmo sem asa, voa.]

Eles creditam na felicidade em forma de mala
Enchem-na, carregam-na
Tornam-se reféns dela.

Que desejo é esse que cede, ao dever, o seu lugar?

Quero o desejo ardido
O desejo filho da falta
O desejo que não se dobre
Que não se submeta

O desejo que se permita trocar de objeto
E que se assuma inconstante, variante, vacilante
Assumidamente insaciável


Desejo fórmula de Química Inorgânica
Que se vá!
Desejo bula de remédio
Que se vá!
Desejo controlado e medido
Que se vá!

Quero o desejo livre da verdade
Livre da vontade aprendida
Livre do olho que não vê e da boca que não fala

Quero o desejo puro
Flecha disparada que perde o alvo
Traça um arco
E goza.




Icaraí – 04/10/2011
Itaipuaçu – 25/10 –
07/11 – 12/12/2011
Barreto 31/05/2012

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

As cidades in - visíveis



Há muitas cidades em mim

Cidade homem
Cidade mulher
Cidades de Ítalo Calvino
... de São João
... de São Sebastião do Rio de Janeiro

Algumas têm cheiro doce
Aninham-se dentro de mim
Se encaixam

Outras irritam e arranham
Arrepiam-me a pele
Me explodem

Enquanto eu,  
                      viajante,
                                    passeio.



Icaraí – 04; 07; 16; 25/10/2011



" "

Agora o mundo é do tamanho do coração da gente.
Icaraí, Facebook, 04/10/2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Síncope


Intervalar
Como o momento se liga ao devir
Quero estar na coma que precede o tom
No vão das coisas que vão





Antonio Carlos Borges Campos
26/04/2011
Icaraí

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Negro


Acho que o fundo é negro...
ou Dark, como preferirem

Eu preciso do fundo negro para ver a luz que emerge.

Agora sim: Fiat Lux!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quem é ela?


Ali está ela!

Em suas mãos de Ana
eu vejo ouro e lata


De sua voz de Nanda
ouço o conto da Marta

Da Marta Maria Rosa
da rua,
que no cabelo prata,
traz a marca da lua

Será que ela é feita de Anas

e Martas
e Marias
e Nandas
e Rosas que perfumam e queimam em chama?

E quando a Marta se deita,

com quantas Anas se encontra?

Com quantas Rosas se arranha?

Itaipuaçu – 24/06/2010
Nierói - 07/10/2011

Autocrítica

Às vezes gosto dos meus versos
Às vezes não

Às vezes eles parecem
pensamentos enfeitados

Às vezes gosto
Às vezes não


 Às vezes não sei de mim

Itaipuaçu – 21/06/2010

O passeio


Há um momento em que já não se sabe mais de qual ponta da guia parte o comando...

...seguimos guia(n)do.

Icaraí, 22 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pitangolango – mambo – tango para Burle Marx


Cansado de sol
Cansado de chuva
Sem cheiro de flor
Sem cheiro de uva
Vivo em pecado
 
Eu vivo a cantar
Sem culpa




Antonio Carlos Borges
Rio de Janeiro - 2009
Itaipuaçu - 07/04/2010

Areia e pó


Estou aqui
Como quem borda as margens de um furo
Como as bordadeiras com seus bilros
Empunho a pena e esfrego a folha


As crianças:
__Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...


O bar frente ao cais
O Caju
A cachaça
O feijão-com-tocinho na panela-de-pressão
O rapaz ao lado seu
O seu olhar
O meu


O ator e areia

A eira
A era
A hora
O ato
O rato
A rota
A tora
O toro
A torre


A beira

Que vazio é esse que há dentro da gente
que não enche nunca?

Antonio Carlos Borges
Mandacaru – MA – 2009
Itaipuaçu – 07/04/2010

Carne e espeto


Sinto cheiro de carne queimando
É carne humana
Facas afiadas na fala
É carne humana

É cheiro de carne sem carne
É furo de espeto sem ferro
É furo de bala
É fala


Anotonio Carlos Borges
Niterói - 23/03/2010
Itaipuaçu - 06/04/2010

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vigília

Se eu tivesse aí tinha pão.

Meu olhar manso e quente preso.

Vigília .


Se eu tivesse aí não tinha, não tava.

Minha boca muda só olhava.

Perseguia tua cor, teu dourado....



Ah se seu tivesse aí.....

E no meu silêncio, minha constância, te ensinava.

A esperar, como espera o cão.....


Se eu tivesse aí..

Eu me amava só um pouquinho enquanto esperava.
(Marcia Lima Falcão)

Cheiro de azul


Era uma manhã assim
De um azul assim
Tão fundo assim
Azul fosco


Que o céu e o mar
Quando se amavam
Eram um só azul


E as árvores verdes
Cor da terra
Aguardavam calmas
O rebentar do dia


E eu acordei poeta
Cheio de azul e verde
E cheirando a mar.


(Antonio Carlos Borges)

Praia de Icaraí – 1996
Itaipuaçu – 14 - 06/09/2009

móvel - ser

Sou
A peça móvel do seu corpo
Das frias e quentes
Noites longas
Sou o que sobra
Entre as carícias e delícias

Sou
Onde suas pernas
Caem
Onde sua boca
Cala

Sou
Onde meu coração
Acelerado
Grita seu nome.

(Antonio Carlos Borges)
São Gonçalo, Novembro 1993.
Itaipuaçu – o4-14/09/2009
Rio de Janeiro - 09/09/2009

Será arte?

Escrevo como quem conta
A história de outro
Em minha própria história.


Expectador de mim mesmo
Autopsicográfo-me
Faço-me mito

Suporto a exaustiva fadiga
Da arte de mentir-me.

(Antonio Carlos Borges)
São Gonçalo, Janeiro de 1993.
Itaipuaçu 04/09/2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Fim


“O tempo que anuncia o fim
também desata os nós”
Fred Martins


Não me espanta
Não ver seu rosto
Não tocar seu corpo
Não sentir seu cheiro


Mas me espanta
Não te reconhecer aqui
Nos sonhos que inventei
Nos versos que construí



(Antonio Carlos Borges)
Itaipuaçu 10/08 - 04/09/2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Inventário

Ontem
Ou anteontem – não sei bem
Revisitando o tempo
Encontrei meus mortos
Havia matado meus vivos
No nó dos momentos

Falaram-me de mim
Contaram-me da dor que eu senti
Do meu espanto e do meu medo
Dos meus enganos e mentiras

Não falaram de amor

Lembraram-me da casa de três janelas
E porta para rua
Dos convites pro café
Do quintal e dos limões
Do pé de sapoti e dos morcegos

Mostraram-me de novo o rio
O rio que corre manso
Sem deixar a beira
Indiferente à eira do casarão
E às palmeiras da beira rio

Então as horas não passaram
Era como se com eles
O tempo perdesse a pressa
Da mesma forma que o poço perdeu o fundo


E então o cio

(Antonio Carlos Borges)

Niterói 05/06 – 17/06 – 19/06/2009

Itaipuaçu 10/08/2009